Agência Baked

Felizmente, parte da sociedade está revendo conceitos, desfazendo-se de preconceitos e seguindo caminhos mais vanguardistas. O processo é gradativo e bastante sutil, mas já podemos afirmar que este é um momento significativo de muita desconstrução. E o empoderamento feminino tem grande destaque nesse movimento. A maneira como as mulheres se veem e querem ser vistas ganhou outras formas. A publicidade percebeu isso! Algumas marcas até começaram a se envolver na causa, acompanhando o momento.

Por muito tempo, campanhas publicitárias como estas a seguir passavam despercebidas na mídia. E eram vistas, assim, como algo completamente natural e atrativo:

Skol

Em 2015, a marca Itaipava veiculou uma propaganda com a modelo Aline Riscado, colocando à disposição do consumidor três opções do “produto”. A garrafa de 300ml, a latinha de 350ml ou os seios da modelo com 600ml, referindo-se a prótese de silicone. O slogan “Faça a sua escolha” completava a mensagem.

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Mas nenhuma dessas propagandas deixaram de ser notadas e sofreram grande ataque por parte do público que contestava o seu conteúdo machista. Em ambas peças publicitárias, a mulher é apresentada como objeto e seu corpo erotizado, mero instrumento para chamar a atenção do público masculino. Como se fosse feita para servir e dar prazer, a mulher também é vendida nessas campanhas. E muita gente percebeu isso!

O mercado também percebeu e algo começou a mudar.

Redondo é sair do seu quadrado

Em março de 2017, a marca de cerveja Skol, a mesma da propaganda mencionada no início desta publicação, iniciou uma campanha de desconstrução chamada “Redondo é sair do seu passado”, fazendo referência a mudanças de postura que desejava assumir. Seu primeiro vídeo causou enorme burburinho nas redes por confessar pública e claramente o conteúdo sexista de suas antigas propagandas:

É uma grande evolução que uma empresa de cerveja tão gigantesca e popular, com um público predominantemente masculino, fale abertamente sobre empoderamento feminino. É claro que a iniciativa não agradou muitos conservadores e pessoas com posicionamentos contrários ao feminismo, mas o importante é que o start foi dado.

Eu dirijo que nem mulher

A Renault não perdeu a oportunidade e também divulgou uma campanha que chamou atenção dos internautas. Promovendo a hashtag #EuDirijoQueNemMulher, a fabricante de veículos mostrou com números que as mulheres são mais prudentes do que os homens no trânsito. Por exemplo, 70% das infrações são cometidas por eles. O objetivo é conscientizar a sociedade de que mulheres são melhores motoristas, embora a antiga máxima “Só podia ser mulher” diga o contrário.

Sim, lentamente, o mundo está mudando. E o empoderamento feminino na publicidade pode ser considerado o precursor desse movimento no marketing. A partir de agora, esperamos por conteúdos mais cuidadosos e preocupados em promover a diversidade e igualdade de gênero. Afinal, chegou a hora de propaganda machista virar coisa do passado.

Luan Andrade