Agência Baked

Tornar-se digital influencer virou o sonho de consumo de muita gente, dos pequenos aos grandes. Se antes a ambição predominante era alcançar a fama por meio do futebol ou das passarelas, agora o YouTube e Instagram conquistam o imaginário dos milhares de sonhadores. E não é para menos! A carreira de digital influencer está em pura ascensão, arrastando uma multidão de seguidores e apaixonados. Quem nunca pensou quão bom deve ser ganhar uma bolada fazendo vídeos que dê o primeiro dislike.

E não é de hoje que a conta bancária de blogueiros, instagramers e youtubers alcança números deslumbrantes. O marketing digital descobriu nas novas figuras públicas uma maneira mais direta e assertiva de falar com o consumidor. Imagina alcançar o público por meio do seu próprio ídolo, sem estúdio, roteiro e texto decorado (será?) e os valores absurdos da mídia convencional. Na mão do digital influencer, o produto é vendido de forma tão espontânea que nem parece propaganda.

Camila Coelho está entre as maiores digital influencers do Brasil. Sua conta no Instagram tem 6,5 milhões de seguidores e recebe patrocínio de diversas marcas da moda e beleza.

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Mas toda essa exposição vem acompanhada de uma desvantagem. A visibilidade é tamanha que os efeitos colaterais podem ser perigosos. E nem estamos falando do assédio sofrido pelas figuras públicas, que recebem topo tido de ofensas, agressões verbais e até ameaças. Esse problema é inerente a todos os que vivem da própria imagem. A questão aqui é a relação estabelecida entre marca e digital influencer. E quando o segundo acaba comprometendo a imagem do primeiro?

Comerciais tradicionais – aqueles com cenários montados e textos decorados – são mais impessoais e não vendem o caráter da figura pública junto com o produto. Ainda que a imagem do famoso ou famosa esteja relacionada àquela marca, a postura pessoal do mesmo, lá no mundo real, não será um problema tão grande. Claro que toda figura pública se preocupa com a própria reputação. Mas quando se trata dos digital influencers, esse jogo fica mais sério. Afinal, no YouTube ou Instagram não há cenários e falas prontas. Ali o produto é vendido na própria casa, com as próprias palavras, no próprio mundo do digital influencer. Tem como ser mais pessoal que isso?

Whindersson Nunes, maior YouTuber brasileiro, com mais de 22 milhões de seguidores em seu canal, divulgou o filme Invocação do Mal 2. É tão pessoal que chega a ser íntimo.

E eis que surge o perigo. O que acontece quando a postura pessoal de um digital influencer não é bem aceita por muita gente? Opiniões contraditórias, atitudes questionáveis, comentários irresponsáveis, tudo isso pode manchar a imagem da figura pública e, de forma indireta, prejudicar também a marca que ele representa. Se o espaço de divulgação é pessoal, o marketing certamente está sujeito a situações semelhantes.

Caso PewDiePie

No início deste ano, Felix Kjellberg se envolveu numa polêmica que sacudiu a Internet. Dono do maior canal do mundo no YouTube, PewDiePie, com 57 milhões de seguidores, o digital influencer sofreu duras críticas da mídia após piadas sobre nazismo, fascismo e outros assuntos com forte peso ideológico. Algum tempo após o caso, Felix divulgou um vídeo em que assume os erros:

Embora tenha sido recebido apoio de muitos colegas e fãs, o youtuber perdeu o contrato com sua network, a Maker, que lhe garantia várias negociações publicitárias e é controlada pela Disney. Comentários e brincadeiras pessoas podem ser um problema sério, não é?

Caso Lukas Marques

Recentemente, aqui no Brasil, a questão também se tornou tema de debate. Tudo porque o governo federal contratou (isso já foi um problema, aliás) alguns youtubers para divulgar o reforma do Ensino Médio. Além de toda polêmica em torno da publicidade disfarçada de opinião espontânea, a postura pessoal de um dos youtubers repercutiu negativamente.  Lukas Marques, do canal Você Sabia?, teve algumas publicações antigas reencontradas por internautas que as consideraram preconceituosas, xenofóbicas e machistas.

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O youtuber também pediu desculpas, mas é como dizem os memes por aí: “Quem perdoa é Deus, a Internet não!”. O caso repercutiu tanto que toda a situação virou pauta judicial.

Poderíamos mencionar casos menores que também dividiram opiniões, envolvendo comentários com duplo sentido, piadas maldosas e tantos posicionamentos que foram vistos como ofensivos. Quando estão em seu ambiente de trabalho, os digital influencers revelam muito de si, mostram-se de verdade. E nem sempre o conteúdo exposto é bom.

Por isso, quem põe a cara para bater, precisa estar ciente dos riscos. E nesse caso, toda marca também coloca sua imagem em jogo.

 

Luan Andrade